O MUNDO ESTÁ AO CONTRÁRIO E NINGUÉM REPAROU

Quando eu comentei para as pessoas que estava indo viajar, passar um tempo fora da rotina, na praia, sozinha, pra ler, meditar, ter meu próprio momento, os comentários eram sempre os mesmos:
1– Nossa que coragem!
2– Nossa eu gostaria muito de fazer o que você está indo fazer. Ter um tempo pra mim, ficar de boa, dar uma relaxada, colocar as leituras, filmes em dia, pensar em mim, não ter compromissos..
3– Posso ir te visitar?

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Cara, depois de ter ouvido tudo isso eu fiquei bem reflexiva. Aquela música da Cassia Eller vem bem a calhar: “o mundo está ao contrário e ninguém reparou….”. Como é que pode a maioria da população estar insatisfeita com a rotina de vida que leva, trabalhar, gastar horas e horas do dia e da noite pra manter esta vida, sendo que o que elas mais querem é simplesmente usufruir de um momento relaxante, fora da vida que levam, numa praia, ou no campo, em contato com a natureza? E ficar sozinhos então?
É a maior VONTADE e o maior MEDO. Medo porque não temos o hábito de ficar sozinhos. E não estou falando aqui de sozinho como solidão. Porque parece que essa palavra SOLIDÃO vem sempre seguida daquele sentimento triste, carente, fraquinho, tadinho…. Mas to falando de solidão de ficar sozinho, ficar conectado com a gente mesmo. Entrar na sintonia de sentir o nosso ser REAL e não o que foi projeto para nós socialmente. Não estou criticando o modelo existencial, só estou apontando que existe muitas expectativas dos outros (família, sociedade, amigos) sobre nós, que de uma forma ou de outra, a gente vive para atender essa expectativa. Temos que ser filhos exemplares, esposas e maridos lindos, amigos queridos, com 30 anos ser gerente de uma empresa, já ter casado, estar gravida do 1o ou 2o filho, carro quitado, apartamento comprado, 1 viagem internacional por ano, isso e muitas outras expectativas externas que a gente acaba vivendo, trabalhando, exisitindo pra isso. Mas a gente já se perguntou (ou nem ousa) se perguntar se a gente quer isso mesmo? Eu quero já estar casada? Eu quero ter um carro mesmo? Eu quero ter uma carreira corporativa? Eu quero esta vida que estou vivendo?
consc e inconsCONSCIENTEMENTE eu acho que a gente quer mesmo. Primeiro fator: a gente quer fazer parte de um padrão socialmente aceito como normal. A gente também quer ser aceito. Fazemos de tudo para fugir da rejeição e do abandono. Queremos ser acolhidos e ter o sentimento de pertencer a alguma coisa. E sair desse padrão, é também correr o risco de não ser aceito. Logo, nem cogitamos em não pertencer a este padrão de falso “acolhimento”.
INCONSCIENTEMENTE eu acho que nosso espírito grita por autonomia. Grita por liberdade. Grita por algo que não tem nome. E isso justifica essa onda gigante que está surgindo de pessoas procurando formas de desestressar, consumo excessivo de qualquer coisa que seja para tapar buraco, essa ansiedade maluca que vivemos e esse boom de pessoas procurando terapia, análises e autoconhecimento.
Eu penso que esse buraco, essa sensação de vazio, de não pertencimento, essas coisas que a maioria de nós sente, é exatamente o buraco que só o SOZINHO preenche, só o sozinho consegue ir lá e colocar o que precisa. Enquanto a gente ficar tentando buscar nos fatores externos, nunca vai chegar esse preenchimento. É como calçar 35 e usar sapato 38. Não cabe, não preenche naturalmsolidaoente, não flui! Tem espaço mas não tem conteúdo.
E o passo para preencher esse espaço vazio, eu penso que é realmente dando a oportunidade pra gente se ouvir NA REAL. E como não temos o hábito de fazer isso, claro que é MEGA difícil. Silenciar a mente, tentar ouvir nosso silêncio, nosso sentimento da vida, das coisas, da gente mesmo….
E neste momento eu estou tentando vivenciar isso na prática. Estou tentando me aceitar mais, estou olhando mais para o meu interior, meus valores REAIS, meus interesses genuínos, acolhendo meus defeitos, valorizando minhas virtudes e tentando dar o meu melhor para o universo.
E claro que isso tudo não vem de uma hora pra outra. O primeiro passo eu acho que é a VONTADE. Depois disso vem o ENTUSIASMO e a AÇÃO. Eu conheci e venho conhecendo muitas pessoas que me ajudaram e me inspiram; porque uma coisa é fato: quando você está disposto, os caminhos se abrem, pessoas passam pelo nosso caminho na hora certa. Fui em workshops de autoconhecimento, faço terapia, descobri a deeksha e o reiki, faço meditação sozinha e em grupo, olho mais para a energia da natureza, respeito mais as pessoas, faço terapia em grupo com minhas amigas, aprendo com o exemplo do outro, enfim, é uma loooooooonga jornada.
Não cheguei lá não, viu? E nem acho que esse existe. Mas estou nessa pausa da minha “rotina habitual” para justamente entrar mais a fundo nessa conexão interna, pra trazer o melhor de mim genuinamente sem nenhuma necessidade de preencher expectativa externa, e sim a minha expectativa como ser humano!

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Porrannnn é difícil pra kct. Por isso faz taaaaaaanto sentido ouvir das pessoas que eu tive coragem da largar tudo (largar o que?? o que é tudo??) e gostariam de fazer o que eu estou fazendo. Todos podemos. Não precisa “largar tudo”, começa com o exercício diário (a prática leva a perfeição) de por 5 minutos fechar os olhos e ficar quietinho com você. Shhhhhh, silencia, se escuta, não cobra nada…. Pode não rolar de primeira, mas é o começo da linda bola de neve….. E cada um forma a sua própria bola de neve, que é pessoal e intransferível!

E eu acho que a entrada nesse caminho tem duas coisas que não mudam: é um caminho sem volta e é eterno. Primeiro porque eu acho que todo dia é uma nova oportunidade de aprender e evoluir. E o processo é tão bacana que já dizia Einstein: ” a mente que se abre a uma nova ideia, jamais volta ao seu tamanho original”

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