DESSA VEZ EU VENCI O MEDO

Estou aqui na praia, no meu mini retiro vivendo mais uma experiência para minha mochila da vida. Nessa primeira semana ainda fiquei meio como que de férias vindo visitar uma amiga que mora aqui. Só agora que estou mais “quieta”, tentando ler mais e escrever.
Pois bem. Cheguei em casa a noite, estava sozinha aqui no meu chalezinho. Só tinha a dona no andar de cima, e era tarde. Minha amiga escolheu o chalé do térreo pra mim pois era mais prático, já saia na área de convivência e tal. A dona perguntou se eu queria ir para o 2o andar, pois era mais reservado. Eu disse que veria isso amanhã, pois estava cansada e com preguiça de pensar em mudar, pois já estava tudo ajeitadinho no térreo, apesar de ser térreo e poder entrar bichos mais facilmente e ter menos privacidade.
Fiquei avaliando os prós e contras de mudar e coisa e tal, mas bem certa de que lá em cima seria melhor. Fiquei também pensando meio que vagamente enquanto tomava banho e me arrumava, sobre minha vida, meus medos, minha vontade de ter mais ação sobre mim, de descobrir mais a fundo meus talentos e tal.
Deitei pra dormir. Como a luz da rua fica acesa e é bem em frente aqui ao condomínio, essa luz chega no meu quarto, na parte de vidro da porta. Não era um grande problema, e eu tinha trazido meu tapa olho, mas ainda não tinha usado.

Pensei em procurar o tapa olho. Dei uma remexida rápida ali nas necessaries mas não achei e deixei para o dia seguinte. Apaguei a luz e deitei. Ainda estava com o pensamento vagando, pensando na vida, no momento que estou e tal…. aí ouvi um barulho. Meio que barulho de alguma fruta caindo do pé, alguma coisa simples.

medo2A bicicleta que meu amigo me emprestou estava lá fora. Eu tinha esquecido de colocar ela pra dentro, mas depois deixei conscientemente ela lá fora. Nunca foi registrado roubo por aqui, sei que sempre existe uma primeira vez, mas mesmo assim deixei. Por isso acho que veio o peso na consciência e a primeira coisa que pensei foi na bike. Mas o mini barulhinho não seria de um roubo de bike. Pensei comigo: esse ímpeto de ir lá olhar a bike será que é meu sexto sentindo ou meu ego mesmo querendo ter a sua necessidade de ser atendido pra acalmar o medo, ou sei lá o que? Pensei em ir, pensei em não ir, e como já estava pensando nisso mais do que devia, resolvi ir lá na janela olhar só pra constar e não era nada mesmo. A bike estava lá. Voltei pra cama, deitei, mas como já estava agitada, fui procurar direito o tapa olho pra dormir mais fácil. Ascendi a luz, sentei de novo na cama pra começar a procurar, e no que eu olho pra baixo, tinha uma barata gigante, enorme, preta nojenta andando ali do meu lado, e eu sozinha. Puta que pariu.
Quem me conhece sabe que eu MORRO de medo de barata. Não sei explicar. Não é só nojo, é medo, medo medo. Não consigo tirar o olho dela até ver a bichinnha esmagada. Porque não sei se vocês sabem mas elas fingem que morrem, viram de barriga pra cima, e depois devagarzinho vão se desvirando e voltam a vida normal. Não confiem. Tem que estraçalhar.
Enfim, meu medo é inexplicável, e estava eu e a barata ali. Ninguém mais e eu tinha que fazer ela morrer. Ou ela ou eu. Kcta como eu ia fazer aquilo? Enquanto eu via ela andando pro lugar que estavam meus calçados, mais rápido que uma fenix, em fração de segundos, eu dei aquele semi grito de desespero, seguido de uma consciência: ou ela ou eu. Quem vence essa? Eu, caceta!
Eu ali, diante do meu medo ele me deixando toda arrepiada, toda agoniada, mas eu estava ciente que ela nao sairia viva. Peguei o Baygon (que já tinha pedido para minha amiga deixar comprado e estava ali do lado da cama, apertei com toda minha força aquele botão, apertei, apertei, morrendo de medo, porque pra fazer isso eu tinha que chegar perto da barata, e na hora que ela recebe o primeiro spray, ela corre, tenta fugir, e eu seguindo ela e virando metade do spray naquele único momento. Ela titubeou, titubeou, entrou na minha sapatilha(!!!!!!!!) e lá morreu. Ufa!
Meu coração palpitando, mas ao mesmo tempo com a sensação de que eu venci. Eu venci meu medo. Eu não deixei passar e eu não chamei ninguém pra resolver o meu problema. Eu consegui.
Ainda com o coração acelerado fiquei pensando que eu posso realmente abrir a minha sensibilidade para meu sexto sentindo, e entendi também como um sinal. Eu levantei pra ver a bicicleta, não tinha nada com ela, mas por conta dessa preocupação eu pude olhar e ver a barata andando ali do lado da minha cama e pude resolver (me salvar). Pensa, se eu tivesse ficado na cama direto, eu não ia ter o ímpeto de levantar naquele minuto e ascender a luz só pra olhar se tinha alguma barata andando. E sabe-se lá como seria, se ela ia andar por cima de mim, entrar nas minhas roupas, sei lá mais o que e em que condições eu poderia dar de cara com essa coisa? Nossa pra escrever esse texto já está sendo bem disgusting… eca.

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E na mesma hora já repassei a analogia para a minha vida. Até mesmo como a astróloga me falou: as vezes para chegar em um determinado ponto ou a uma determinada resposta/ conclusão, pode ser que seja por outros caminhos menos convencionais, por outras formas até que se chegue lá.
Fez TODO sentido pra mim todo esse acontecimento, e essa minha análise.
Claro que eu tenho um TOC, que sempre que eu vejo uma barata, eu tenho certeza que tem outra no mesmo ambiente. Fui dormir com aquele cheiro maluco de Baygon do lado da minha cama, claro que acordava toda hora e dava uma olhadinha no chão pra ver se encontrava outra, mas fui dormir com a sensação de vitória. De que eu fui mais forte que meu medo. Eu sei o que eu passei, por isso valorizo num grau essa experiência….. e também a oportunidade de perceber novos caminhos, novos olhares, e não apenas uma linha reta. Viva!!!! Viva os recados da vida. A gente pede e o universo manda. Basta estarmos abertos.
E viva o segundo andar. Mudei, claro!

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